Notícias 2015

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28 de fevereiro

Resenha: O Brasil antes dos brasileiros, de André Prous

O Brasil antes dos brasileiros - A pré-história do nosso país - 2ª edição revisada - 2007 - Zahar

André Prous é um arqueólogo francês radicado no Brasil desde a década de 1970. Participou da missão franco-brasileira responsável pela descoberta do famoso fóssil Luzia na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais.

A obra é uma das poucas na área da paleoantropologia disponíveis em português-br. E mais: foi escrita originalmente em português-br!

Na introdução o autor faz um apanhado conceitual sobre a arqueologia e sobre o estado da arqueologia no Brasil.

O primeiro capítulo aborda a ocupação da América de maneira superficial.

Nos capítulos seguintes faz um síntese dos achados arqueológicos no Brasil meridional (capítulo 2), no pantanal (capítulo 3) e no Brasil central e no Nordeste (capítulo 4).

No capítulo 5 aborda a cultura tupiguarani.

No capítulo 6 descreve pontos da arqueologia amazônica, a que mais desperta a atenção internacional, graças à sua cerâmica, considerada desproporcionalmente bem desenvolvida para o estado de desenvolvimento tecnológico dos povos da época.

O capítulo final é praticamente uma continuação da introdução, abordando conceitos e perspectivas no campo arqueológico no Brasil.

Pelo fato de abordar apenas superficialmente a ocupação da América, o interesse por essa obra não é grande para a paleoantropologia. Entretanto, trata-se de uma obra de valor para aqueles que desejam saber um pouco mais sobre os indígenas primitivos que viveram em território brasileiro. Porém, é sempre bom lembrar que trata-se de uma obra introdutória.

As leituras recomendadas são centradas na questão das culturas indígenas primitivas (que antecederam as que aqui habitavam quando os europeus aportaram por aqui).

[por Fernando Bilharinho]


23 de fevereiro

Memória epigenética

Muito se discute se a espécie humana ainda está exposta ao processo evolutivo. Certamente esse tema é polêmico e ainda será encontrado muitas vezes aqui na nossa Página.

Um capítulo recente que se acerca desse tema é a epigenética. A epigenética é definida como modificações do genoma que são herdadas pelas próximas gerações, mas que não alteram a sequência do DNA.

Para a expressão (codificação) do DNA são importantes: o DNA codificador, o DNA regulador e alguns elementos extra-DNA.

O nosso DNA existe na forma de um polímero extremamente longo que fica empacotado dentro do núcleo, agregado a proteínas estruturais chamadas histonas. Para a expressão dos genes (os genes são pedaços da molécula do DNA que constituem a unidade fundamental da hereditariedade) o DNA precisa ter as partes envolvidas no processo desempacotadas para serem expostas as áreas onde se encontram os genes reguladores e codificadores.

A epigenética está relacionada a fatores envolvidos na exposição dessas áreas. Porém, a grande revolução está no fato de diversos fatores, como estresse, exposição a drogas etc, poderem determinar alterações nos mecanismos que levam a essa exposição. E mais, essas alterações poderem ser transmitidas aos descendentes.

Obviamente essas alterações são muito menos estáveis do que as alterações no DNA (mutações) e seu papel na evolução ainda é bastante incerto, visto que essas alterações também precisam passar pelo crivo da seleção natural, da deriva genética etc. Muitas novidades nesse campo são aguardadas para os próximos anos.

Selecionamos dois artigos sobre o tema que podem ser encontrados na internet. Um postado por Rodrigo Véras em Evolucionismo.com (http://evolucionismo.org/profiles/blogs/uma-heresia-epigenetica) e outro por Marcelo Fantappié na Revista Carbono (http://revistacarbono.com/artigos/03-epigenetica-e-memoria-celular-marcelofantappie/#sthash.ueuCMnoV.dpuf).

[por Fernando Bilharinho]


21 de fevereiro

Revolução cultural

O Homo sapiens moderno surgiu na África há cerca de 200 mil anos (Eva mitocondrial). Porém, não há registros de pensamento simbólico nas dezenas de milhares de anos seguintes.

Existe um grupo que acredita que uma mutação ocorrida há cerca de 50 mil anos foi a responsável pelo desenvolvimento do pensamento simbólico. Klein & Edgar, no livro O Despertar da Cultura (ver a resenha que publicamos através do link http://paleoantro2.dominiotemporario.com/doc/despertarcultura.pdf), defendem essa hipótese em face dos inúmeros achados representativos desse pensamento simbólico mundo afora a partir dessa época.

Entretanto, existe um outro grupo que defende que o pensamento simbólico não é fruto de uma mutação, mas simplesmente do acúmulo de tecnologia e aumento da complexidade social e da densidade demográfica. Além disso, verificamos que diversos achados datados entre 60 e 100 mil anos sugerem que o pensamento simbólico surgiu bem antes de 50 mil anos atrás (a National Geographic Brasil publicou no número de fevereiro de 2015 uma reportagem fartamente ilustrada sobre o tema).

Há 50 mil anos a população humana era bastante reduzida e quase se extinguiu, possivelmente em virtude de uma gigantesca erupção do vulcão Toba. A reduzida população naquela época pode justificar a baixa produção de artefatos de conteúdo simbólico. Há estudos que mostram que a redução da densidade demográfica está relacionada com deterioração cultural na pré-história.

Estamos preparando um material mais detalhado sobre a suposta revolução cultural para publicar aqui na Página e na nova edição do Manual Ilustrado de Paleoantropologia para Iniciantes.

[por Fernando Bilharinho]

 

20 de fevereiro

Periódico: Antiquity

Antiquity é um periódico voltado para a arqueologia onde podemos encontrar muito material paleoantropológico de boa qualidade. Existe uma quantidade razoável de material de acesso livre (quanto mais antigo o artigo maior a probabilidade de acesso livre).

O periódico teve sua primeira publicação em 1927 e está ligado ao Departamento de Arqueologia da Universidade de Durham (Inglaterra).

Para os que gostam de ler os artigos originais e possuem facilidade de leitura em inglês, o site do periódico é uma ótima pedida.

[por Fernando Bilharinho]

 

19 de fevereiro

Macaco mais velho das Américas

Divulgada na Nature em 04/02/2015 (http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature14120.html) a descoberta na Amazônia peruana de quatro dentes que foram suficientes para batizar uma nova espécie de primata extinto: o Perupithecus ucayaliensis, um macaco que viveu na América do Sul há 36 milhões de anos.

Acredita-se que os macacos transpuseram o Atlântico em balsas de terra e restos vegetais que partiram da África em direção à América (vale lembrar que naquela época África e América eram muito mais próximas). O concestral de macacos do velho e do novo mundo viveu há cerca de 40 milhões de anos (http://paleoantro2.dominiotemporario.com/doc/classificacaoprimatas.pdf). Apesar da datação ainda não estar completamente definida, o achado é 10 milhões de anos mais antigo do que o fóssil de primata mais antigo já encontrado nas Américas.

Para maiores detalhes recomendamos o material publicado na Folha Online por Reynaldo José Lopes (http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/02/1586526-macaco-mais-velho-das-americas-teria-atravessado-o-atlantico-diz-estudo.shtml).

 [por Fernando Bilharinho]

 

18 de fevereiro

Ocupação das Américas

A ocupação das Américas ganhou mais um capítulo. Foi publicado na edição de setembro de 2014 da revista Antiquity (http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract?fromPage=online&aid=9424283&fulltextType=RA&fileId=S0003598X00050845) um artigo assinado Niède Guidon (Fundação Museu do Homem Americano), Eric Böeda (Universidade Paris 10) e colegas do Brasil, da França, da Espanha e do Chile, apresentando dados de novos estudos com o controverso material obtido no sítio de Vale da Pedra Furada. Dessa vez foram divulgados resultados de análises microscópicas do material. De acordo com os autores os detalhes encontrados somente poderiam ter sido produzidos para finalidades como cortar e desbastar madeira, entre outras.

O Vale da Pedra Furada encontra-se dentro do Parque Nacional da Serra da Capivara no Piauí. A região parece ter sido ocupada de forma esparsa e sequencial e artefatos encontrados no local podem ser restos de carvão de fogueiras e instrumentos rudimentares de quartzo. A comunidade científica internacional tem se mostrado bastante reticente em aceitar a origem humana desse material, preferindo atribuir ao material origem natural.

Esse material foi datado em mais de 20 mil anos. A aceitação de que são decorrentes de atividade humana alteraria de forma substancial o entendimento sobre a ocupação da América. Hoje os artefatos mais antigos de origem humana na América foram encontrados no sítio de Monte Verde no Chile e foram datados em 14,5 mil anos.

Vejam o artigo publicado na Folha Online em 12 de fevereiro de 2015 através do link http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/02/1588710-piaui-obrigou-a-ocupacao-humana-mais-antiga-das-americas-diz-estudo.shtml. Também vale a pena dar uma olhada no artigo Ocupação do planeta pelo Homo sapiens (http://paleoantro2.dominiotemporario.com/doc/ocupacaoplaneta2.pdf) na nossa seção de artigos.

[por Fernando Bilharinho]


Página lançada em 20/02/2010

Última atualização em 28/02/2015

Organizadores:

Euder Monteiro é bacharel em direito, especialista em direito eleitoral e servidor da justiça eleitoral

Fernando Bilharinho é médico, especialista em saúde da família e servidor público




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